Novas configurações familiares e importância do diálogo são discutidas em palestra com psicólogo Alexandre Coimbra

Profissional foi o convidado do 2º ECSA Convida em Cuiabá

“Iniciativa rara e que deve ser aplaudida”. Assim foi definida a 2ª edição do projeto “ECSA Convida” pelo psicólogo, escritor e terapeuta familiar, Alexandre Coimbra, convidado para o evento nesta quinta-feira (06). Ele veio a Cuiabá para ministrar a palestra “Família: Lugar de pertencimento, diferenças e empatia”, que abordou entre outros temas as relações familiares, empatia, comunicação não violenta e disciplina positiva, com o objetivo de discutir as relações familiares e abrir espaço para o diálogo.

De acordo com Alexandre, uma das maiores dificuldades em introduzir e estimular o diálogo dentro do ambiente familiar é o conceito criado culturalmente para designar o papel da família. Segundo ele, ainda hoje há a imagem de “sagrada” ao se retratar pais, mães e familiares.

“A família não é a detentora dos ’10 mandamentos’. É preciso compreender que o mundo vem passando por constantes mudanças, e a sociedade está reaprendendo a conviver, dialogar e, principalmente, se respeitar. A criança tem que ser respeitada na sua individualidade, com o seu corpo, o adolescente precisa ser ouvido e não encarado como alguém que só contesta ou questiona. Os pais devem urgentemente se conectar mais com seus filhos, ou seja, tem muita coisa a ser feita”, disse.

Em relação às mudanças na sociedade, o psicólogo citou as novas configurações familiares que têm promovido também a inserção de diferentes e mais recentes discussões. Neste sentido, ele menciona a escola como um dos locais em que este diálogo deve acontecer.

“Cada vez mais vemos famílias ‘diferentes’. Há casais homoafetivos, mães e pais solo, famílias formadas por filhos de casamentos anteriores, adolescentes criados por avós, tios, enfim, as relações são muito diversas e as famílias também. Eu vejo a escola como um espaço para naturalizar estas diferenças, tanto para as crianças quanto para os adultos”, pontua.

A palestra foi acompanhada pela equipe de professores da Escola Chave do Saber (ECSA), pais e alunos da unidade e o público em geral. Ao final da apresentação, Alexandre propôs como reflexão que as famílias avaliassem quais são os desafios para construir uma família com afeto, amor e sem violência. O psicólogo ainda classificou a “palmada” como uma das expressões da cultura da violência que deve ser excluída como prática de educação de crianças.

“Bater no seu filho não traz benefício algum para ele e nem para você. Com o tempo, a criança vai assimilando que apanhar faz parte do processo e isto segue por toda a vida, refletindo na fase adulta e nas relações que ela terá. Daí vemos casos de machismo, violência contra a mulher, abusos e outras formas de violência que na verdade começaram lá atrás, ainda na infância”, explica Alexandre.

Diálogo – Realizado pela Escola Chave do Saber, a 2ª edição do “ECSA Convida” é uma iniciativa voltada para a promoção de debates no ambiente escolar, com a participação de pais, filhos, educadores e sociedade em geral. Diretora da Geral, Márcia Bezerra, diz que o objetivo da instituição é fazer da escola também um local para o diálogo familiar, além de aproximar mais pais e filhos.

“A escola tem um papel muito importante na formação educacional, emocional e comportamental das crianças, e precisamos da presença dos pais neste processo. Até porque, hoje em dia há temas que precisam ser debatidos dentro e fora de casa. Por isso abrimos as portas da escola para estas discussões”, acrescenta Márcia.

Convidado para o evento, Alexandre Coimbra elogiou a iniciativa dizendo que debates nestes moldes ainda não são tão frequentes, mas precisam ser. “Parabenizo demais instituições de ensino que se preocupam com este tipo de discussão. São encontros que por serem raros até este momento merecem ser aplaudidos e apoiados”, finaliza o psicólogo.

Fonte: Pau e Prosa Comunicação

Fotos: Allan Galhardo