Experiência de sala de aula auxilia no home schooling

Ensinar é enfrentar desafios diariamente. Em tempos de pandemia do novo coronavírus essa tarefa se torna ainda mais desafiadora. Os estabelecimentos de ensino estão tendo que repensar a forma como trabalham ou adaptá-la às novas necessidades. E tudo isso sem que tenha havido um tempo necessário de preparação ou planejamento. Em momentos como este, mesmo sem ter vivido algo do gênero anteriormente, a experiência tem se mostrado uma grande aliada.

A diretora da Escola Chave do Saber (ECSA), Márcia Bezerra, que tem mais de 30 anos de dedicação ao ensino privado em Mato Grosso, mostra que algumas ferramentas não mudam apesar do distanciamento social e do uso de novas tecnologias para o chamado home schooling (estudo em casa). É importante, segundo ela, que os pais sintam tranquilidade em relação às escolhas da instituição, estejam conscientes de que foram as melhores possíveis dentro do cenário que o país e o mundo estão vivendo.

É preciso lembrar, salienta a educadora, que ninguém desejava que fosse assim, mas as mudanças foram necessárias, mesmo com pouco tempo para as adaptações, tanto da escola como das famílias. Com calma e perseverança, as coisas vão se acertando, garante. “Hoje eu posso dizer certamente que dessas três semanas para cá a maioria das pessoas estão sendo contempladas por essa iniciativa de aulas à distância para o fundamental e, com os menores, o uso de uma plataforma interativa”. A busca, frisa, é que todos alcancem o mesmo nível e nesse ponto entram tanto o apoio da equipe como a busca por melhorias no sistema eletrônico.

Márcia faz questão de ressaltar que as aulas eletrônicas não substituem as presenciais, mas elas deixam os alunos afinados e conectados com o conteúdo. “Não dá mais para ficar parado, já tivemos três semanas de recesso. Quando voltarmos, alinharemos tudo isso. Se avaliarmos que o aproveitamento foi menor do que o esperado, optaremos pela reposição”, sugere. Para a diretora, ainda há incerteza porque não se sabe quanto tempo a quarentena vai durar. “Eu gosto de ser, e quero continuar sendo, uma pessoa otimista. Mas eu também gosto de ser realista. O término depende da gente, da nossa reclusão social, e tudo indica que não será breve”, opina.

A diretora considera muito importante também o vínculo com as famílias, que não deve ser perdido com o distanciamento. “Não paramos de nos comunicar usando as redes sociais, nosso aplicativo interno, em nenhum momento. Temos feito isso de diversas maneiras. A última postagem que fizemos foi um grande agradecimento às famílias, aos alunos e aos professores e demais colaboradores da escola, com relação a confiança, credibilidade que estão nos dando nesse momento de crise”, exemplifica.

Além disso, continua Márcia, a ECSA tem valorizado tudo o que é enviado, como fotos dos alunos estudando e interações entre familiares fora dos canais diretos de comunicação da escola. “Os pais têm hoje o celular pessoal de toda a equipe de liderança. Forneço meu celular pessoal para os pais, porque não tem problema. Eu acho que isso inclusive evita uma certa ansiedade. Eu respondo imediatamente, exatamente para controlar a ansiedade das famílias”, conta.

Psicoemocional

Na ECSA, lembra Márcia, alguns diferenciais definem a essência da escola, como o acolhimento, o cuidado, o acompanhamento individualizado e a busca por entender as necessidades de cada aluno. Neste período de distanciamento social, isso acaba se estendendo às famílias. Além de orientar as pessoas a se cuidarem e ficarem em casa, os coordenadores têm trabalhado em orientações para os pais lidarem melhor com as crianças. “Nós temos um trabalho que está sendo desenvolvido com relação a cuidar das emoções, tanto das crianças como das pessoas da casa. A nossa intenção realmente é dar um apoio porque entendemos o quanto isso é importante”, diz a diretora.

Para ela, neste momento é preciso controlar muito questões como a tolerância e a frustração. Não entrar em discussão por coisas que, na verdade, são menos importantes na atual conjuntura. “No momento, temos que escolher o drama a ser vivido e que ele seja cabível de atitude de pacificação, de entendimento, de compreensão. Temos que ter mais empatia com relação a tudo”, sugere.

Márcia ressalta a importância de pensar no amanhã, que tudo isso é passageiro e a vida vai continuar. “Tem gente aí fora trabalhando para podermos ficar em casa e estamos trabalhando em casa para poder fazer com que as famílias fiquem melhor em suas casas, tendo como acompanhar a rotina de seus filhos. Porque ninguém está de férias e voltaremos à escola um dia”.

Precisamos aprender a tirar lições, alerta. “Eu me considero uma pessoa de fé e fico pensando o tempo todo: tudo isso pode ser resolvido a qualquer minuto. Penso que, para ser resolvido, vamos ter que aprender alguma coisa que essa pandemia está querendo nos ensinar. Isso não é para um ou dois, é para toda a humanidade”, finaliza.