ECSA alia tecnologia com metodologias de ensino próprias em tempos de pandemia  

Para continuar desenvolvendo suas atividades em tempo de pandemia do novo coronavírus, as instituições educacionais têm se valido de diferentes ferramentas. Mas, para algumas em especial, essa transição imposta pela contingência do momento se tornou ainda mais desafiadora. É o caso da Escola Chave do Saber (ECSA), que precisou aliar tecnologia com metodologias próprias de ensino que buscam respeitar particularidades, acolher e formar cidadãos conscientes. Além, claro, de promover o envolvimento da família da maneira mais produtiva possível, especialmente no ensino infantil.

Na ECSA, antes de serem iniciadas as aulas virtuais propriamente ditas, ainda no período de recesso, antecipado por conta do distanciamento social, foram sugeridas atividades orientadoras para que as crianças desenvolvessem com as famílias, explica a diretora, Márcia Bezerra. Era uma forma de promover a manutenção de aprendizado, a continuidade de um trabalho que vinha sendo realizado, acrescenta. Mas então veio a determinação de extensão do isolamento e a instituição partiu para uma nova etapa.

Segundo a diretora, durante o recesso, foi feito um planejamento por segmento. Os maiores, de 6 aos 14 anos, com base em orientações da Organização Mundial da Saúde sobre o tempo ideal de exposição das crianças à tela do computador, foram aumentando gradativamente o período de aula. Nela o aluno tem contato com o professor, interage de acordo com a metodologias ativas desenvolvidas pela escola e também faz atividades programadas, acrescenta.

Em relação ao infantil, as estratégias mudam, salienta Márcia. “São segmentos diferentes, faixas etárias diferentes, momentos diferentes, processos de aprendizagem também diferentes. Não era cabível, diante dos estudos que realizamos, fazer as aulas online também para os pequenos”, frisa. Basta lembrar que o tempo de concentração deles, dependendo da idade, vai de 10 a 15 minutos. Não teria como o professor dar atenção individual para os alunos e mantê-los focados e produtivos o tempo todo.

 

Plataforma interativa

Depois de trocar informação com as escolas parceiras da rede, a ECSA optou por utilizar uma plataforma interativa de trabalho chamada Padlet, que alia aspectos funcionais e possibilidades visuais interessantes para os pequenos. “Nós optamos por uma programação semanal de atividades direcionadas, que sejam de simples execução, mas que principalmente propiciem o que consideramos fatores importantes de aprendizagem nessa idade: que são a interação, a experiência, a observação, a análise”, explica a educadora.

Com o Padlet, a ECSA consegue manter rotinas como a hora do conto, como acontecia diariamente na sala de aula, além de videoaulas curtas, com atividades bem interativas que vão desde o ensino de idiomas até educação física e aulas de música. “Fora isso, ele propõe atividades que podem ser feitas em folhas em branco, com lápis de cor, giz de cera, aquilo que família tiver em casa, para promover um desenvolvimento produtivo nessa semana da criança”.

Na semana de 27 a 30 de abril, por exemplo, algumas salas abordaram o tema “alimentação saudável”. “As pessoas estão meio perdidas. Estão em casa com as crianças, mas trabalhando, não de férias e, as vezes, a parte da alimentação traz o conforto. Aí vem o exagero em doces e gordura. É preciso lembrar que a rotina tem que ser mantida de forma equilibrada”, alerta.

 

Feedback

A ECSA tem procurado saber dos pais como tem sido a utilização do Padlet. Então solicitou a eles que enviassem comentários e imagens das crianças interagindo com a plataforma. Foi feita inclusive uma espécie de chamada, a fim de saber quem estava realmente utilizando a ferramenta e buscar formas de popularizar e torná-la ainda mais útil. “Basicamente, a escola montou uma equipe home office de apoio para que essas famílias pudessem aproveitar ao máximo tudo aquilo que estávamos fazendo para ajudá-los”.

Nesta terceira semana está sendo aplicada uma pesquisa de satisfação, em que os pais estão analisando todas as ferramentas, o que serve e o que não serve para a demanda deles, o que pode ser feito para melhorar a execução e a produtividade da ferramenta. “O tempo todo temos que estar em contato com essas famílias, porque o trabalho que desenvolvemos é para ajudá-las a obterem efeitos positivos. Se não procuramos isso, ficamos sem subsídios”.

A escolha pelo Padlet também levou em conta a aplicação do jeito ECSA de trabalhar. “Em meio à pandemia, seria muito incoerente escolher vertentes que não faziam parte das nossas aulas presenciais. Talvez não houvesse uma identificação da escola nem por parte da criança e muito menos da família”, reconhece. E a tendência é só melhorar, diz ela. “A cada semana ele fica melhor, porque vamos descobrindo outros recursos e também vamos nos desenvolvendo com mais segurança. Afinal, é muito diferente do que fazíamos”, ressalta.